sábado, 21 de maio de 2011

O Ice Wine Brasileiro

Antes de falar do nosso ice wine, vamos entender um pouco mais sobre este magnifico vinho.
O ice wine é um vinho especial, possui um rendimento baixíssimo, em muitos casos uma videira produz apenas uma garrafa, este é um dos motivos deste tipo de vinho ser repleto de aromas.
Provavelmente este vinho foi descoberto por acaso na Francónia, Alemanha. No final dos anos 70, o Canadá começou sua produção e cresceu de tal forma  que se tornou o maior produtor de ice wine.
Além de Canadá e Alemanha, que são os maiores produtores, o ice wine é produzido também pela Áustria, Austrália, Croácia, República Checa, França, Hong Kong, Hungria, Israel, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Eslováquia, Eslovénia, Suécia e Estados Unidos. E agora pelo Brasil.
Para produzir este maravilhoso vinho é necessário que as uvas estejam no seu grau ideal de maturação e a colheita deve ser feita com a temperatura inferior a -6 C°. Com isso a água das uvas congela e concentra o açúcar no suco extraído através da prensa.  Este mosto rico em açúcar é fermentado e então dá-se inicio ao processo desde vinho mágico.
Agora falemos do nosso vinho do gelo. A Vinícola Pericó escolheu a uva Cabernet  Sauvignon para produzir o ice wine, até conseguir a temperatura perfeita para fazer a colheita foram três tentativas frustradas até que nos dia 4 e 12 de julho de 2009 a temperatura ajudou e foi feita a colheita de 3,4 toneladas de uvas congeladas. O ice wine da Pericó fermento em tanques de aço inox com controle de temperatura durante 60 dias, depois estagiou em barricas de carvalho francês.

A Carmenere

A história da carmenere é uma das mais curiosas, pois após ser dada como extinta na sua terra natal, França, devido a filoxera, ela foi redescoberta no Chile.
Em 1860 a filoxera destruiu praticamente todos os vinhedos da Europa, incluído a França e mais especificamente, para o caso da carmenere, a região de Bordeaux. Devido a esta devastação o mundo vitivinícola teve que recomeçar os seus vinhedos, desta vez usando a enxertia em videiras vitis labruscas (uvas não apropriadas para a produção de vinho de qualidade), pois estas ao contrário das vitis viníferas (uvas utilizadas na produção de vinhos finos) são resistentes ao ataque de várias pragas e doenças, dentre elas a filoxera.
Em meados de 1550 foram levadas para o Chile diversas mudas de uvas francesas, pois visionários chilenos acreditavam no potencial do país para a produção de vinho. O Chile, por ser protegido por barreiras naturais - deserto, cordilheiras, gelo e oceano - não foi atacado pela filoxera e com isso manteve seus exemplares mesmo depois de 1860 quando houve a devastação das vinhas pelo mundo todo.
Durante muitos anos a carmenere ficou perdida, confundida com a Merlot, devido a semelhança de suas folhas, porém, em 1994 Jean Michel Boursiquot identificou a carmenere, e posteriormente testes de DNA confirmaram definitivamente a sua identidade.
O plantio desta cepa, começou a crescer no Chile, a partir desta descoberta, e ela começou a despontar no cenário internacional. É muito utilizada nos cortes - assemblage - quando bem feita, costuma dar vinhos bem estruturados, com discretos toques vegetais, aromas adocicados acompanhado de especiarias.
A carmenere ainda não é tão conhecida como outras uvas, como a cabernet sauvignon ou a merlot, este é um dos motivos para que eu aprecie mais os cortes com a carmenere do que os seus varietais, mas creio que com o avanço no conhecimento desta casta o Chile tende a produzir bons exemplares desta cepa, visto que a proporção dela que vem sendo utilizadas em grandes vinhos, o Almaviva por exemplo, está crescendo gradativamente.

As Mulheres do Mundo do Vinho

Na Grécia antiga as mulheres já foram proibidas de degustarem esta bebida sublime apesar de somente as sacerdotisas podiam vender vinhos. Este foi somente mais um obstáculo que elas tiveram que superar e com isso se tornaram tão importante para a evolução dos vinhos.
Dentre as mulheres que revolucionaram o vinho foi a grande Nicole-Barbe Ponsardin, a famosa Veuve Clicquot Ponsardin, la Grande Dame, foi ela quem inventou o método de remuage e retirada de resíduos do Champagne, e estes métodos são utilizados até hoje.
Não podemos nos esquecer de Antonia Adelaide Ferreira, a Dona Ferreirinha, que viuvou duas vezes, herdou uma quinta e terminou a vida com 23. Ela foi uma mulher de princípios e negou a mão de sua filha a um rico e nobre pretendente pois achava que sua filha é quem deveria escolher com quem casar.
Na América do Sul, também temos uma representante de peso, atualmente Suzana Balbo faz história, após fazer a fama dos vinhos da Catena, agora tem sua própria vinícola, onde produz maravilhas.

Leilões de Vinho


Apesar de ser desconhecido por muitos, os leilões de vinhos anda movimentando muitos milhões de dólares mundo afora, para se ter uma ideia, em 2010 este mercado movimentou cerca de US$ 408 milhões, isto após uma declínio que vinha a 2 anos seguidos. Esta recuperação foi tão surpreendente em 2010 que foi quase o dobro de 2009.
Este ramo continua sendo movimentado basicamente por dois países EUA e Hong Kong, sendo que o segundo continua comprando os vinhos mais caros.
O Brasil também tem realizados seus leilões, a APAE, por exemplo, desde 2008 realiza leilões de vinhos para angariar fundos para custear os trabalhos realizados pela instituição. Este leilão geralmente é realizado no terraço da Daslu, em São Paulo, e no ultimo ano contou com a presença do renomado sommelier Manoel Beato.
O mercado de vinhos já é bem explorado fora do Brasil, a Liv-ex, a Bolsa de Vinhos de Londres, nasceu em 1999 e desde então movimenta quase US$ 100 milhões por ano. Desde sua implantação, o índice Liv-ex, apresentou rentabilidade superiores aos das principais aplicações do planeta.